O Mulheres de Repente, idealizado por Luna Vitrolira, multiartista e mestra em teoria da literatura pela UFPE, é um projeto iniciado em 2018 que tem se fortalecido e conta com a participação das poetas glosadoras Dayane Rocha (Brejinho de Tabira), Elenilda Amaral (Afogados da Ingazeira), Erivoneide Amaral (Afogados da Ingazeira), Francisca Araújo (Iguaracy), Milene Augusto (Solidão), Thaynnara Queiróz (Afogados da Ingazeira), e Luna Vitrolira, que é poeta e coordenadora do projeto, do qual faz parte também a produtora executiva Taciana Enes.
O grupo se reuniu com o propósito de reconhecer, registrar e valorizar a presença das mulheres na tradicional modalidade de poesia de improviso “Mesa de Glosas”, do sertão do Pajeú, em Pernambuco.
Criada na cidade de Tabira, em 1996, a Mesa de Glosas é um dos gêneros poéticos da arte oral de tradição do Pajeú, que descende do repente. Essa modalidade consiste em um desafio, sem viola, entre poetas participantes da Mesa, para criar versos feitos de improviso, sem o apoio de nenhum tipo de suporte, usando um conjunto de regras rígidas que definem a estrutura, o ritmo, a métrica e o esquema de rimas do poema, a partir dos motes revelados, no exato momento da glosa, pela pessoa coordenadora da mesa, sem que ninguém tenha conhecimento prévio com relação aos temas que serão desenvolvidos.
Essa tradição poética sempre teve uma barreira invisível para as mulheres, que eram constantemente deixadas à margem desse universo. Mas essa história começou a mudar em 20 de julho de 2013, quando, pela primeira vez, a presença feminina marcou a mesa de glosas, em São José do Egito. As protagonistas desse momento histórico foram as poetisas Elenilda Amaral e Dayane Rocha, duas mulheres que ousaram desafiar as normas e provar que a arte do improviso também pertence a elas.
O Mulheres de Repente, idealizado por Luna Vitrolira — multiartista e mestra em Teoria da Literatura pela UFPE — é mais que um projeto: é um gesto coletivo de retomada e de ocupação dos espaços de direito, um movimento que reinscreve as mulheres no centro da tradição do repente e da poesia improvisada.